17 de junho de 2018 às 02:00

Minhas questões sobre o futebol

Você ama seu time? Passa grande parte do tempo, depois do jogo, pensando nas piadas que fará com os colegas de trabalho, se tiver ganho, e pensando nas respostas que dará às piadas que farão com você, se tiver perdido? Então, é para você mesmo que eu quer

Você ama seu time? Passa grande parte do tempo, depois do jogo, pensando nas piadas que fará com os colegas de trabalho, se tiver ganho, e pensando nas respostas que dará às piadas que farão com você, se tiver perdido? Então, é para você mesmo que eu quero fazer algumas perguntas.

Ao longo dos anos, fui me dando conta de que eu só gostava do futebol e abstraía os times. Lamentava, quando uma bela jogada não era finalizada, mesmo que fosse do time adversário. No final não tinha jeito, eu acabava torcendo pelo futebol e não pelos clubes. Como se o futebol pudesse realmente ser um espetáculo de esporte e aquela baboseira de "que vença o melhor" tivesse valor.

O meu jeito bizarro de torcer pelo futebol fez com que as torcidas se tornassem um ponto insuportável do jogo para mim. Que alguém morra ou mate pelo jogo soa tão grotesco quanto guerra santa.

A pergunta que não quer calar: posso ser considerada torcedora de futebol, mesmo se eu não for fiel a um time?

Outra questão: se, ao longo dos anos, os times trocam técnico, treinador e quase todos ou todos os jogadores, não estaríamos naquela historinha da faca? Aquela, na qual você tem uma faca de estimação, cujo cabo ficou gasto. Você troca o cabo. Em seguida, a lâmina estraga. Você troca a lâmina. Para quem você estava torcendo mesmo?

Desculpe a insistência, mas são questões cruciais de uma torcedora que se sente marginalizada.

Agora é sério, mas é o inverso. O seu time ganha um campeonato super prestigiado, por exemplo, a Copa das Américas. Você joga na cara da galera, com todas as piadinhas do seu arsenal. Mas eis que esse mesmo time, na mesma época, fica lá atrás no Brasileiro. Isso faz algum sentido para alguém? Até eu sei que os times são poupados ou dão tudo, conforme a conveniência financeira, mas não fica difícil afirmar que o seu time é o melhor, diante dessa inconsistência de resultados?

Pergunta de ordem prática, no que tange à estética e à ética, não necessariamente nessa ordem. Como eu faço para usar a camisa da seleção e a bandeira nacional, com toda dignidade que elas merecem, abstraindo que uma ostenta o símbolo da CBF e que ambas foram usadas, indevidamente, em manifestações pela volta do regime militar e paneladas afins?

Por fim, mas não menos importante, o futebol não é maravilhoso? Essa resposta eu sei.

Fonte: FOLHA

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